2º Encontro sobre a Causa Nacional – outubro de 1998
CARTA DE CAMPINAS
Manifesto à Nação
Nos dias 16, 17 e 18 de outubro de 1998, em Encontro promovido pelas entidades abaixo, brasileiros patriotas preocupados com a crise que o país atravessa reuniram-se em Campinas, SP, para debater essa situação e apresentar propostas para a construção de um novo Brasil.
O que levou personalidades de diferentes origens e pensamentos a buscar um caminho comum foi a constatação de que o Brasil está mergulhado na mais grave crise de sua história. Essa crise, que ameaça a própria sobrevivência da Nação, agravou como nunca os problemas sociais do país, expressos principalmente na elevação dos níveis de desemprego que poderão atingir a curto prazo o inaceitável patamar de 25% da população economicamente ativa nas áreas metropolitanas.
Os participantes do Encontro concluíram que a dependência externa e sua conseqüência direta, a exclusão social, constituem a principal causa da crise. Pior ainda, a exacerbação dessa dependência e da exclusão resultante da política econômica do atual governo arruinou as contas externas e internas. Além disso, subordinou o país ao capital especulativo e está destruindo os fundamentos da Nação brasileira ao comprometer o aparelho produtivo, o emprego e as condições mínimas de sobrevivência da população.
Essa política danosa que tornou frágil a Nação e o Estado brasileiros deixou o país vulnerável e à mercê da especulação o que ameaça a sobrevivência do Brasil como Nação soberana e independente. Ela se constitui inclusive em ameaça à integridade e unidade do território brasileiro à medida em que não estabelece como pressuposto o interesse nacional. Ao contrário, expressa uma total submissão a interesses externos.
O resultado das últimas eleições presidenciais está longe de representar os anseios do povo brasileiro e seu desejo de mudança. Ficou evidente que, além das alianças oportunistas, a manipulação das pesquisas e o totalitarismo da mídia decidiram o pleito.
Entretanto, é justamente a crise sem precedentes, aliada às potencialidades do país, que torna possível a retomada do processo interrompido de construção da Nação brasileira da qual depende a sobrevivência do próprio país. É outro, portanto, o caminho do povo brasileiro que, ao reagir a tal situação, exige essa retomada para a qual nunca houve condições como agora. Por mais paradoxal que possa parecer, estamos como nunca em situação de traçar nosso próprio destino, aglutinando a vontade nacional e, dessa forma, colocando o Brasil de pé.
A reconstrução de nossa Nação passa pela ruptura, não com o mundo, com o qual desejamos manter relações de cooperação, mas com o sistema de dominação mundial, hegemoneizado pela oligarquia financeira cosmopolita. Isso se tornou possível graças à crise e aos conflitos em que mergulhou esse sistema de dominação. Além de termos potencialidades naturais superiores às de qualquer outro país, a nossa história forjou um povo novo, síntese de várias raças, capaz de modelar uma grande Nação. Um povo que transformou uma colônia na oitava economia do mundo é capaz de grandes façanhas, entre as quais a de liderar solidaria e legitimamente o conjunto das nações, hoje subjugadas, no processo de superação do atual sistema de dominação.
Completar o processo de construção do Brasil significa assumirmos o nosso próprio destino, readquirindo a soberania e a independência nacional, retomando o controle sobre nossa economia, reconstruindo o Estado nacional como instrumento promotor do desenvolvimento, fortalecendo o mercado interno e incorporando toda a população aos benefícios do desenvolvimento.
A condição básica para se recolocar o Brasil de pé é a união de todas as forças nacionais, de todos os brasileiros que amam este país, civis e militares, organizados ou não em partidos políticos, movimentos sociais e instituições de todos os tipos. Um movimento de afirmação cultural e de recuperação da auto estima do povo brasileiro é o principal instrumento de aglutinação e articulação das forças vivas do país nesse sentido.
O Brasil é viável. Vamos fazer deste país uma grande Nação!
Promotores do Encontro:

CEBRES - Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos
MHD - Movimento Humanismo e Democracia
IPSO - Instituto de Pesquisas e Projetos Tecnológicos e Sociais
NUSEG - Núcleo Superior de Estudos Governamentais da UERJ
INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Instituto de Economia da Unicamp
Personalidades presentes:
Adalto L. L. Barreiro,
Ademir Alves de Melo,
Adriano Benayon,
Alexandre Henrique Leal Filho,
Amerino Raposo Filho,
Antonio Rezk,
Antonio Roberto Bertelli,
Aracy Medeiros Clemente,
Argemiro Pertence,
Audálio Dantas,
Carlos Medeiros,
Carlos Seabra,
César de Queiroz Benjamim,
Darc Costa,
Dirlene Marques,
Fabio Lucas,
Fernando Corrêa de Sá e Benevides,
Franklin Serrano,
Geralda Fantini,
Geraldo Di Giovanni,
Jairo Junqueira da Silva Filho,
João Manoel Cardoso de Mello,
João Paulo de Almeida Magalhães,
José Walter Bautista Vidal,
Levi Bucalem Ferrari,
Luiz Bento da Silva Filho,
Luiz Gonzaga Belluzzo,
Luiz Toledo Machado,
Marcio Henrique Monteiro de Castro,
Maria Aparecida de F. M. Nogueira,
Nelsimar Vandelli,
Nice Braga,
Nilson Araújo de Souza,
Paula Beiguelmann,
Raimundo Rodrigues Pereira,
Ricardo Moura de Albuquerque Maranhão,
Roniwalter Jatoba,
Sergio Cavalcanti de Albuquerque,
Stoessel Peres da Nóbrega,
Vania Cintra,
Williams da Silva Gonçalves.
Comissão de Organização:
Antonio Rezk,
Carlos Seabra,
Levi Bucalem Ferrari,
Darc Costa,
Nelsimar Moura Vandelli,
Vânia Cintra.