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A Causa Nacional –
O Futuro da Nação Brasileira
Instrumento fundamental para o desenvolvimento do capitalismo em suas fases
colonial e imperialista, O Estado nacional começou a ser questionado pelos
modernos teóricos do liberalismo - neoliberais - com argumento de que sua
superação é uma decorrência da nova conformação do sistema, a chamada fase da
mundialização ou globalização da economia.
A falácia (entre tantas outras) que querem impingir aos povos dos diferentes países tem uma
razão fundamental: O Estado nacional aparece hoje como um dos poucos instrumentos que
podem ser usados pelos povos - pelas classes sociais não beneficiárias da nova forma de
acumulação do capital, ou seja, os excluídos ou despossuídos - como barreira ao avanço da
mundialização do capital, impedindo a barbárie e o horror que se afiguram diante de nós com a
conformação que o sistema adqueire na virada do século.
Não se pode negar que - como salientou Marx há 150 anos - o sistema capitalista historicamente
tende a se universalizar.
Sua dinâmica de funcionamento leva à destruição e superação dos modos de produção
não-capitalistas em todas as partes do mundo. O que, de resto, também, não constitui nenhuma
grande novidade. Mas aceitar essa universalização do capital não quer dizer que se deva
aceitá-la como verdade definitiva e única, como tal natural, que não possua alternativa.
Dessa forma, cabe aos estudiosos analisar e avaliar o sentido tomado pela mundialização
econômica que o capital impõe na atual etapa de seu desenvolvimento, buscando conhecer se,
de fato, compensaria aos povos de cada país aceitar os termos em que ela tem sido colocada.
Sobremodo como tem sido imposta pelos centros hegemônicos do capital aos países
periféricos, emergentes ou não.
E o que se vai ler nas intervenções aqui publicadas, apresentadas no I Encontro A Causa
Nacional: o Futuro da Nação Brasileira nada mais é do que o exercício de uma preocupação
que, fundamentalmente, está centrada num profundo e emotivo senso de brasilidade e de apego
às raízes nacionais.
São intervenções fundadas em diferentes parâmetros ideológicos e teóricos, mas que no núcleo
de suas colocações convergem para alguns pontos de excepcional importância.
No momento em que nossas elites dirigentes, ou ponderáveis parcelas delas - de boa ou má-fé,
não importa -, lotadas no poder político, econômico e cultural da nação, dão um sentido
irresponsável e vergonhoso à inserção do país na etapa de mundialização do capital, é de
extrema relevância a publicação dos textos aqui coletados. No mínimo para mostrar aos leitores
que a "unanimidade" neoliberal que se procura impingir como verdade não passa de uma falácia
e de que existem ainda brasileiros que ousam correr o risco de ser execrados e glosados como
dinossauros por suas opiniões. Entre os valores que eles fazem questão de preservar
encontra-se o de não temerem se colocar contra a corrente quando se trata de discutir e
analisar o destino de nosso país e de todos os que aqui vivem.
Antonio Roberto Bertelli